Liberdade e Tolerância em uma Era de Conflitos Religiosos

A Aula Magna de abertura do primeiro semestre letivo de 2016 da FTBB contará com a participação do renomado filósofo da religião americano Kelly James Clark, que estará em Brasília para ministrar o minicurso Deus e o cérebro, conforme noticiamos aqui.

A comunicação do Dr. Clark será proferida no Auditório da FTBB na SGAN 611, Módulo B, no dia 07/03/2016, às 19h30 e versará sobre o tema Lberdade e Tolerância em uma Era de Conflitos  Religiosos. A entrada é franca para todos os interessados sem necessidade de inscrição.

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Deus e o cérebro com Kelly James Clark

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O Grupo de Pesquisa em Filosofia da Religião da UnB, do qual eu sou um dos pesquisadores, iniciará os trabalhos deste semestre com um minicurso a ser ministrado pelo filósofo cristão americano Kelly James Clark com o título God and the brain: uma reflexão filosófica sobre questões de psicologia e neurociência acerca da existência de Deus. O evento ocorrerá do dia 7 a 10 de março de 2016, das 9h às 12h, no Auditório do Instituto de Ciências Humanas – Prédio do ICC (Minhocão), Ala Norte, Subsolo, Sala BSS 687, Centro Universitário Darcy Ribeiro, Universidade de Brasília.

O conteúdo programático do curso inclui os seguintes temas: “Ciência cognitiva da religião”, “Racionalidade e crença religiosa”, “Ateísmo, QI e inferência” e “Ateísmo e autismo”.

A exposição será feita em inglês com roteiro e questões traduzidas para o português.

Faça sua inscrição gratuitamente aqui

VI Congresso Brasileiro de Filosofia da Religião

O segundo evento de que falei no post anterior é o VI Congresso Brasileiro de Filosofia da Religião, promovido pela Associação Brasileira de Filosofia da Religião (ABFR) com o apoio da Fundação John Templeton. O Congresso será realizado nos dias 27 a 30 de outubro. A abertura dos trabalhos ocorrerá às 19h no Auditório Joaquim Nabuco da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília e as demais apresentações ocorrerão no Carlton Hotel, conforme programação que você pode baixar aqui.

O tema do Congresso é “Espiritualidade no Mundo Moderno”, que será abordado em diversas perspectivas por pesquisadores em Filosofia da Religião de todo o Brasil. Os conferencistas principais do evento são: Kelly James Clark, da  Grand Valley State University (USA) – que também participará da Semana Missionária -; Luis Flores Hernández, da Universidad Católica de Chile; Maria Clara Bingemer, da PUC do Rio de Janeiro; e Luis Felipe Pondé, da PUC de São Paulo.

Para participar é preciso fazer inscrição conforme formulário que você pode baixar aqui ou pelo sítio da ABFR.

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Semana Missionária da FTBB

Há dois eventos muito interessantes que vão acontecer em Brasília no final deste mês para quem se interessa por Teologia e Filosofia da Religião. O primeiro deles é a Semana Missionária, promovida de Faculdade Teológica Batista de Brasília na semana do dia 26 a ao dia 30 de outubro, sempre às 19h30, no campus da Faculdade. Para participar não é preciso fazer inscrição. A programação do evento segue no cartaz abaixo.

Sobre o segundo evento, escreverei no próximo post.

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FTBB promove seminário em liderança

Coaching e mentoria em liderança”, este é o tema do seminário que será realizado nos dias 12 e 13 de agosto, no campus da Faculdade Batista de Brasília (FTBB). O encontro tem como objetivo oferecer um esforço conjugado de desenvolvimento pessoal, processo de aconselhamento e liderança renovadora que traz retornos significativos para organizações e igrejas.

Segundo o coordenador do curso de Teologia da FTBB, Afranio Castro, é evidente o papel do líder como elemento estimulador de mudanças: “Ele tem o papel de gerenciar equipes e transferir os objetivos de forma clara para o cumprimento de metas numa dinâmica de autogerenciamento e automotivação”.

Os principais assuntos que serão discutidos no evento são: Direção espiritual: quem eu sou em Cristo?; Discernindo a visão: o que supostamente eu devo fazer?; Habilidade de liderança: como eu faço isso? e Missão global: o contexto em que faço isso.

As palestras terão a participação de nomes importantes no assunto como, Scott Holste, diretor de projetos internacionais, Lifeshape; Stephen Goins, consultor de negócios sênior, Chick-fil-a; Fran Andrews, gerente de projetos, Lifeshape Internacional e Joanna Williamson, One Rock- London Academy of Spiritual Leadership.

Para se inscrever basta entrar em contato com a FTBB no telefone 61-3272 1136. A entrada é gratuita e as vagas são limitadas.

Programação

Quarta-feira, 12 de agosto

19h – Seminários

Abertura – 15min.
Primeira Palestra – Fran – 45 min.
Segunda Palestra – Stephen – 45 min.

20h55 – Cofee Break – 10 min.

21h05 – Terceira Palestra – Scott – 45 min.
Quarta Palestra – Joanna – 45 min.

22h40 – Encerramento

Quinta-feira, 13 de agosto

19h – Seminários

Abertura – 15min.
Primeira Palestra – Fran – 45 min.
Segunda Palestra – Stephen – 45 min.

20h55 – Cofee Break – 10 min.

21h05 – Terceira Palestra – Scott – 45 min.
Quarta Palestra – Joanna – 45 min.

22h40 – Encerramento

Priscila Rocha

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Justiça Social no Antigo Testamento – Um modelo para os tempos contemporâneos

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Texto de João Batista Passarella, membro da Igreja Batista no Jardim Botânico, professor da Faculdade Teológica Batista de Brasília e autor do livro Justiça Social na Bíblia: o Deus que se revela aos pobres, que ele gentilmente doou a nossa Biblioteca.

Hoje encontramos milhões de habitantes em nosso planeta sob a miséria e a pobreza, tornando assim um dos sinais mais dramáticos do nosso tempo. Países em desenvolvimento como o Brasil que apresenta grande crescimento econômico tem em sua sociedade setores pobres que não conseguem acompanhar esse desenvolvimento, tornando a situação ainda mais grave, pois os ricos acumulam riquezas gerando um mal social constituído pela pobreza que é acompanhado de uma injustiça que a agrava e a consolida.

A disparidade entre ricos e pobres cresce no grau de acumulação de bens de que se pode dispor. Enquanto alguns por circunstâncias diferentes acumulam muito acima do necessário para viver, e gozam de amplas possibilidades de prazeres, outros se veem condenados a viver com pouco e, inclusive, com menos do que o necessário para uma vida humana digna. Na cobiça dos que acumulam mais do que o necessário percebe-se a injustiça que caracterizou muitos setores sociais na história, incluindo os atuais.

O abismo que separam ricos e pobres hoje tende a crescer cada vez mais. A situação dos que vivem na pobreza tende a se agravar tornando mais difícil o acesso à alimentação, à moradia, à saúde e à instrução. Assim permanecem abaixo das condições mínimas de serem pelo menos, seres humanos com uma vida de decência e dignidade. Esse problema não é novo. É tão velho, talvez, como a história da humanidade, mas nem por isso deve ser deixado de lado. A pobreza é expressão de um mal, é uma negação do amor, é um estado escandaloso. Para o cristão, a pobreza, a existência dos pobres, constitui um escândalo neste mundo.

No Antigo Testamento, desde a aliança mosaica até as promessas do evangelho, a Bíblia aponta continuamente para o pobre, a viúva, o órfão, o estrangeiro, o necessitado e oprimido. O Antigo Testamento revela vários fatos significativos. O Senhor ama de modo especial os pobres e não se esquece deles. O ungido de Deus “acode ao necessitado que clama e também ao aflito e ao desvalido. Ele tem piedade do fraco e necessitado e salva a alma aos indigentes” (Sl 72.12-13) O Senhor “não se esquece do clamor dos aflitos” (Sl 9.12). Deus tem sido “a fortaleza do pobre e a fortaleza do necessitado na sua angústia” (Is 25.4).

Na ordem social do Antigo Testamento os pobres receberam uma vantagem econômica, receberiam empréstimos sem juros (Dt 15.7-11; Ex 22.25). Parte da colheita de cereais e uvas não devia ser recolhida, mas deixada em benefício aos pobres (Lv 19.9-10; 23.22). Significativamente, um dos propósitos do dízimo era prover socorro para os pobres (Dt 14.29; 26.12-13).

Deus requer justiça aos pobres e julgará os que se opõem a eles. As palavras de Deus por meio do profeta Zacarias são bem típicas: “Executai juízo verdadeiro, mostrai bondade e misericórdia, cada um a seu irmão; não oprimais a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o pobre” (Zc 7.9-10) Finalizando, o Antigo Testamento ensina que o povo de Deus tem uma especial responsabilidade ética pelos pobres.

Para entendermos toda essa preocupação de Deus com os pobres, precisamos examinar em detalhes o conceito bíblico de justiça. No A.T., o interesse de Deus pelos pobres é ligado de modo consistente à justiça bem como a sua ação visando estabelecer a justiça entre o seu povo. Assim, as palavras como o pobre, o necessitado, o oprimido, o estrangeiro possuem um conteúdo tipicamente moral, que aponta para a exigência de justiça por parte de Deus.

Isso não é facilmente compreendido no mundo de hoje. A expressão “o pobre” não tem para nós esse conteúdo moral. Ela tem um sentido meramente descritivo; pode-se dizer que para nós “pobres” é uma palavra inteiramente secular. Precisamos ver que a pobreza em si tem um significado ético. Os pobres são uma categoria moral, e os pobres e o tratamento que eles recebem são fortes indicadores da fidelidade do povo de Deus.

O assunto da justiça social foi de grande importância no meio dos profetas sendo muito discutido e denunciado. Eles denunciam a pobreza como um mal, consequente da injustiça praticada pelos poderosos. Desejam uma sociedade justa de acordo com o ideal mosaico, experimentado no período do êxodo, quando formou o povo de Israel. Eles mostraram de maneira implícita que a pobreza não é obra do destino, nem consequência de um destino cego e fatal e sim uma consequência da ação daqueles que foram denunciados pela injustiça que caracteriza sua ação. A mensagem é bem clara, pois há pessoas na miséria porque são vítimas da injustiça de outros homens.

O Antigo Testamento ensina que o povo de Deus tem uma especial responsabilidade ética pelos pobres. Deus tem compaixão especial por eles e seus atos na história confirmam isso. A natureza divina que dá esse interesse está relacionada à sua justiça. O interesse de Deus pelos pobres é ligado de modo consistente à sua justiça bem como à sua ação visando estabelecer a justiça entre o seu povo.

A pobreza expõe um dramático problema de justiça: a pobreza nas suas diferentes formas e consequência caracteriza-se por um crescimento desigual e não reconhece a cada indivíduo o direito a sentar à mesa e ter um banquete comum à todos. Tal pobreza torna impossível a realização de um humanismo pleno que a igreja deve almejar e perseguir, para que as pessoas e os povos possam ser mais e viver em condições mais humanas. A luta contra a pobreza encontra uma forte motivação na opção, ou amor preferencial, da igreja pelos pobres. Em todo o seu ensinamento social a igreja deve sempre reafirmar um fundamento básico que é o da destinação universal dos bens. Com a constante reafirmação do princípio da solidariedade, a doutrina social estimula a passar à ação para promover o bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos. Aos pobres se deve olhar não como um problema, mas como possíveis sujeitos e protagonistas de um futuro novo e mais humano para todo o mundo.

A Biblioteca da Igreja Viva