VI Congresso Brasileiro de Filosofia da Religião

O segundo evento de que falei no post anterior é o VI Congresso Brasileiro de Filosofia da Religião, promovido pela Associação Brasileira de Filosofia da Religião (ABFR) com o apoio da Fundação John Templeton. O Congresso será realizado nos dias 27 a 30 de outubro. A abertura dos trabalhos ocorrerá às 19h no Auditório Joaquim Nabuco da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília e as demais apresentações ocorrerão no Carlton Hotel, conforme programação que você pode baixar aqui.

O tema do Congresso é “Espiritualidade no Mundo Moderno”, que será abordado em diversas perspectivas por pesquisadores em Filosofia da Religião de todo o Brasil. Os conferencistas principais do evento são: Kelly James Clark, da  Grand Valley State University (USA) – que também participará da Semana Missionária -; Luis Flores Hernández, da Universidad Católica de Chile; Maria Clara Bingemer, da PUC do Rio de Janeiro; e Luis Felipe Pondé, da PUC de São Paulo.

Para participar é preciso fazer inscrição conforme formulário que você pode baixar aqui ou pelo sítio da ABFR.

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Semana Missionária da FTBB

Há dois eventos muito interessantes que vão acontecer em Brasília no final deste mês para quem se interessa por Teologia e Filosofia da Religião. O primeiro deles é a Semana Missionária, promovida de Faculdade Teológica Batista de Brasília na semana do dia 26 a ao dia 30 de outubro, sempre às 19h30, no campus da Faculdade. Para participar não é preciso fazer inscrição. A programação do evento segue no cartaz abaixo.

Sobre o segundo evento, escreverei no próximo post.

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FTBB promove seminário em liderança

Coaching e mentoria em liderança”, este é o tema do seminário que será realizado nos dias 12 e 13 de agosto, no campus da Faculdade Batista de Brasília (FTBB). O encontro tem como objetivo oferecer um esforço conjugado de desenvolvimento pessoal, processo de aconselhamento e liderança renovadora que traz retornos significativos para organizações e igrejas.

Segundo o coordenador do curso de Teologia da FTBB, Afranio Castro, é evidente o papel do líder como elemento estimulador de mudanças: “Ele tem o papel de gerenciar equipes e transferir os objetivos de forma clara para o cumprimento de metas numa dinâmica de autogerenciamento e automotivação”.

Os principais assuntos que serão discutidos no evento são: Direção espiritual: quem eu sou em Cristo?; Discernindo a visão: o que supostamente eu devo fazer?; Habilidade de liderança: como eu faço isso? e Missão global: o contexto em que faço isso.

As palestras terão a participação de nomes importantes no assunto como, Scott Holste, diretor de projetos internacionais, Lifeshape; Stephen Goins, consultor de negócios sênior, Chick-fil-a; Fran Andrews, gerente de projetos, Lifeshape Internacional e Joanna Williamson, One Rock- London Academy of Spiritual Leadership.

Para se inscrever basta entrar em contato com a FTBB no telefone 61-3272 1136. A entrada é gratuita e as vagas são limitadas.

Programação

Quarta-feira, 12 de agosto

19h – Seminários

Abertura – 15min.
Primeira Palestra – Fran – 45 min.
Segunda Palestra – Stephen – 45 min.

20h55 – Cofee Break – 10 min.

21h05 – Terceira Palestra – Scott – 45 min.
Quarta Palestra – Joanna – 45 min.

22h40 – Encerramento

Quinta-feira, 13 de agosto

19h – Seminários

Abertura – 15min.
Primeira Palestra – Fran – 45 min.
Segunda Palestra – Stephen – 45 min.

20h55 – Cofee Break – 10 min.

21h05 – Terceira Palestra – Scott – 45 min.
Quarta Palestra – Joanna – 45 min.

22h40 – Encerramento

Priscila Rocha

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Justiça Social no Antigo Testamento – Um modelo para os tempos contemporâneos

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Texto de João Batista Passarella, membro da Igreja Batista no Jardim Botânico, professor da Faculdade Teológica Batista de Brasília e autor do livro Justiça Social na Bíblia: o Deus que se revela aos pobres, que ele gentilmente doou a nossa Biblioteca.

Hoje encontramos milhões de habitantes em nosso planeta sob a miséria e a pobreza, tornando assim um dos sinais mais dramáticos do nosso tempo. Países em desenvolvimento como o Brasil que apresenta grande crescimento econômico tem em sua sociedade setores pobres que não conseguem acompanhar esse desenvolvimento, tornando a situação ainda mais grave, pois os ricos acumulam riquezas gerando um mal social constituído pela pobreza que é acompanhado de uma injustiça que a agrava e a consolida.

A disparidade entre ricos e pobres cresce no grau de acumulação de bens de que se pode dispor. Enquanto alguns por circunstâncias diferentes acumulam muito acima do necessário para viver, e gozam de amplas possibilidades de prazeres, outros se veem condenados a viver com pouco e, inclusive, com menos do que o necessário para uma vida humana digna. Na cobiça dos que acumulam mais do que o necessário percebe-se a injustiça que caracterizou muitos setores sociais na história, incluindo os atuais.

O abismo que separam ricos e pobres hoje tende a crescer cada vez mais. A situação dos que vivem na pobreza tende a se agravar tornando mais difícil o acesso à alimentação, à moradia, à saúde e à instrução. Assim permanecem abaixo das condições mínimas de serem pelo menos, seres humanos com uma vida de decência e dignidade. Esse problema não é novo. É tão velho, talvez, como a história da humanidade, mas nem por isso deve ser deixado de lado. A pobreza é expressão de um mal, é uma negação do amor, é um estado escandaloso. Para o cristão, a pobreza, a existência dos pobres, constitui um escândalo neste mundo.

No Antigo Testamento, desde a aliança mosaica até as promessas do evangelho, a Bíblia aponta continuamente para o pobre, a viúva, o órfão, o estrangeiro, o necessitado e oprimido. O Antigo Testamento revela vários fatos significativos. O Senhor ama de modo especial os pobres e não se esquece deles. O ungido de Deus “acode ao necessitado que clama e também ao aflito e ao desvalido. Ele tem piedade do fraco e necessitado e salva a alma aos indigentes” (Sl 72.12-13) O Senhor “não se esquece do clamor dos aflitos” (Sl 9.12). Deus tem sido “a fortaleza do pobre e a fortaleza do necessitado na sua angústia” (Is 25.4).

Na ordem social do Antigo Testamento os pobres receberam uma vantagem econômica, receberiam empréstimos sem juros (Dt 15.7-11; Ex 22.25). Parte da colheita de cereais e uvas não devia ser recolhida, mas deixada em benefício aos pobres (Lv 19.9-10; 23.22). Significativamente, um dos propósitos do dízimo era prover socorro para os pobres (Dt 14.29; 26.12-13).

Deus requer justiça aos pobres e julgará os que se opõem a eles. As palavras de Deus por meio do profeta Zacarias são bem típicas: “Executai juízo verdadeiro, mostrai bondade e misericórdia, cada um a seu irmão; não oprimais a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o pobre” (Zc 7.9-10) Finalizando, o Antigo Testamento ensina que o povo de Deus tem uma especial responsabilidade ética pelos pobres.

Para entendermos toda essa preocupação de Deus com os pobres, precisamos examinar em detalhes o conceito bíblico de justiça. No A.T., o interesse de Deus pelos pobres é ligado de modo consistente à justiça bem como a sua ação visando estabelecer a justiça entre o seu povo. Assim, as palavras como o pobre, o necessitado, o oprimido, o estrangeiro possuem um conteúdo tipicamente moral, que aponta para a exigência de justiça por parte de Deus.

Isso não é facilmente compreendido no mundo de hoje. A expressão “o pobre” não tem para nós esse conteúdo moral. Ela tem um sentido meramente descritivo; pode-se dizer que para nós “pobres” é uma palavra inteiramente secular. Precisamos ver que a pobreza em si tem um significado ético. Os pobres são uma categoria moral, e os pobres e o tratamento que eles recebem são fortes indicadores da fidelidade do povo de Deus.

O assunto da justiça social foi de grande importância no meio dos profetas sendo muito discutido e denunciado. Eles denunciam a pobreza como um mal, consequente da injustiça praticada pelos poderosos. Desejam uma sociedade justa de acordo com o ideal mosaico, experimentado no período do êxodo, quando formou o povo de Israel. Eles mostraram de maneira implícita que a pobreza não é obra do destino, nem consequência de um destino cego e fatal e sim uma consequência da ação daqueles que foram denunciados pela injustiça que caracteriza sua ação. A mensagem é bem clara, pois há pessoas na miséria porque são vítimas da injustiça de outros homens.

O Antigo Testamento ensina que o povo de Deus tem uma especial responsabilidade ética pelos pobres. Deus tem compaixão especial por eles e seus atos na história confirmam isso. A natureza divina que dá esse interesse está relacionada à sua justiça. O interesse de Deus pelos pobres é ligado de modo consistente à sua justiça bem como à sua ação visando estabelecer a justiça entre o seu povo.

A pobreza expõe um dramático problema de justiça: a pobreza nas suas diferentes formas e consequência caracteriza-se por um crescimento desigual e não reconhece a cada indivíduo o direito a sentar à mesa e ter um banquete comum à todos. Tal pobreza torna impossível a realização de um humanismo pleno que a igreja deve almejar e perseguir, para que as pessoas e os povos possam ser mais e viver em condições mais humanas. A luta contra a pobreza encontra uma forte motivação na opção, ou amor preferencial, da igreja pelos pobres. Em todo o seu ensinamento social a igreja deve sempre reafirmar um fundamento básico que é o da destinação universal dos bens. Com a constante reafirmação do princípio da solidariedade, a doutrina social estimula a passar à ação para promover o bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos. Aos pobres se deve olhar não como um problema, mas como possíveis sujeitos e protagonistas de um futuro novo e mais humano para todo o mundo.

Defenders – um excelente podcast para quem quer saber mais sobre doutrina cristã

The Bird and the Baby

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Recomendo a todos que estiverem com um bom nível de inglês a escutar o excelente podcast Defenders. Trata-se de aulas ministradas pelo renomado filósofo da religião William Lane Craig sobre as principais doutrinas do cristianismo na Johnson Ferry Baptist Church. As aulas são preparadas para leigos, com clareza e didatismo. Já foram concluídas duas séries completas cada uma incluindo todo o conteúdo do curso. Agora será iniciada uma nova série. As aulas gravadas podem ser baixadas pelo site Reasonable Faith ou por meio do iTunes. Há também um app para iphone, android e windows phone em que você pode escutar o Defenders. Você pode baixar o app aqui.

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Bonhoeffer: pastor, mártir, profeta, espião

Dietrich Bonhoeffer é, certamente, uma das personalidades mais interessantes do século XX. Filho de uma família alemã abastada, Bonhoeffer tinha tudo para viver uma vida longa e confortável. No entanto, inspirado pelo evangelho escolheu encarar os poderes de seu tempo sombrio.
Bonhoeffer enfrentou o status quo acadêmico teológico do final do século XIX e início do século XX, o liberalismo. Orientado por Adolf Harnack, a grande estrela do liberalismo teológico e do método histórico-crítico de interpretação das Escrituras, o teólogo da igreja confessante teve a coragem de rejeitar os dogmas liberais e reafirmar importantes aspectos da ortodoxia.
A sua paixão por fazer a vontade de Deus o levou, finalmente, a enfrentar o pior dos males que se abateu sobre sua terra natal, o nazismo, à custa de sua própria vida. Quando Hitler tentou cooptar a Igreja Alemã, Bonhoeffer foi um dos líderes da resistência, fundando a Igreja Confessante, que acabou por ser tornada clandestina pelo regime. Ele também ajudou ativamente na fuga de famílias de judeus para a Suiça e militou junto as demais igrejas europeias no sentido de conscientizá-las a respeito da situação da Igreja Alemã.
Porém,  o momento mais dramático dessa luta foi participação de Bonhoeffer num plano para assassinar Adolf Hitler. Várias questões interessantes surgem dessa situação. É moral participar de um regicídio? Existe alguma situação em que é permitido conspirar para assassinar o chefe de Estado? O tema da permissibilidade do regicídio é um tema antigo, foi discutido por Marsílio de Pádua, e volta à tona na situação concreta por que Bonhoeffer passou.
Eric Metaxas conta essas e outras histórias no livro Bonhoeffer: mártir, pastor, profeta, espião, publicado em português pela editora Mundo Cristão. Trata-se de um livro de leitura fácil, bem documentado, em que, sempre que possível, o autor deixa o biografado “falar por si mesmo” por meio de uma série de citações contextualizadas. Como foi direcionado primariamente para o público norte-americano, Metaxas se debruça longamente sobre o período em que Bonhoeffer viveu em Nova Iorque como pesquisador convidado do Union Theological Seminary e sobre as percepções do teólogo alemão do cristianismo praticado nos Estados Unidos à época.
Bonhoeffer: mártir, pastor, profeta, espião está para empréstimo disponível em nossa biblioteca.

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